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O Que Acontece se Não Registrar o Drone no Brasil?

Por · 9 de setembro de 2026 · Legislação e Regras

Subir um drone sem registro no Brasil traz dor de cabeça imediata: a ANAC aplica sanções administrativas pesadas, a polícia apreende o equipamento no ato e você ainda responde criminalmente, com risco real de detenção. A regra é clara. Passou de 250 gramas de peso máximo de decolagem? A aeronave precisa estar cadastrada no sistema antes de acionar os motores no espaço aéreo do país.

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Principais conclusões

Quem é obrigado a registrar no SISANT e a diferença para a homologação ANATEL

Cadastrar o drone no SISANT é mandatório para modelos acima de 250 gramas. A homologação da ANATEL, por sua vez, cuida apenas da conformidade das radiofrequências do transmissor em território nacional. Muita gente que está começando confunde as duas etapas, mas cada órgão cuida de uma ponta técnica bem distinta.

Infográfico comparativo entre as competências da ANATEL e da ANAC para a regularização de drones no Brasil.
Entenda as atribuições de cada órgão: enquanto a ANATEL valida o rádio, o SISANT valida a aeronave. — Foto: Jakub Zerdzicki / Pexels

Pelo RBAC-E nº 94 da ANAC, drones de até 250 gramas dispensam cadastro federal tanto no uso recreativo quanto no comercial básico. Só que existe uma pegadinha bem comum na balança. Se você colocar protetores de hélice, trem de pouso estendido ou uma bateria de maior capacidade num aparelho de 249 gramas, ele rompe essa linha de corte na decolagem. Cruzou a marca de 250 gramas? O registro no SISANT passa a ser obrigatório na mesma hora.

Órgão reguladorFinalidade técnicaCritério de pesoCusto do processoDocumento gerado
ANATELGarantir conformidade do espectro eletromagnético e evitar interferências em frequências de emergênciaTodos os drones e transmissores sem fio, independentemente do pesoGratuito para declaração de conformidade de uso próprioCertificado de Homologação e selo com número de registro
ANAC (SISANT)Controlar o cadastro de operadores e identificar aeronaves Classe 3 para segurança operacionalApenas aeronaves com peso máximo de decolagem superior a 250 gramasGratuito para aeronaves recreativas e comerciais comunsCertidão de Cadastro SISANT com código alfanumérico iniciado por PP

O selo da ANATEL serve unicamente para garantir que as frequências de rádio entre rádio-controle e drone não interfiram nas faixas da aviação civil ou militar. No SISANT da ANAC, o foco é outro. O cadastro atesta a aeronavegabilidade, organiza o tráfego aéreo e amarra a identidade do proprietário legal ao equipamento para apurar responsabilidades se algo der errado.

Penalidades previstas: multas administrativas, apreensão e implicações criminais

Pilotar drone sem registro na ANAC rende multas pesadas previstas no Código Brasileiro de Aeronáutica. Para piorar, a conduta abre inquérito criminal por colocar em perigo a segurança do transporte aéreo.

Como o registro é fiscalizado na prática e o bloqueio operacional no SARPAS

Quem fiscaliza em terra são as patrulhas da Polícia Militar, Guarda Municipal, Polícia Civil e Polícia Federal. Já no ar, o controle do tráfego e o bloqueio de operações irregulares ficam sob a tutela direta do sistema digital do DECEA.

Se uma viatura parar você em campo, os policiais vão pedir o Certificado SISANT (impresso ou em PDF no celular) e um documento oficial com foto. O código alfanumérico emitido pela ANAC precisa estar colado na carcaça do drone, visível e em adesivo resistente à chuva e ao atrito. Sem prefixo no chassi ou com dados diferentes do documento, a apreensão da aeronave acontece na hora para averiguação na delegacia.

A barreira digital imposta pelo sistema SARPAS NG

O primeiro travamento prático surge quando você tenta acessar o SARPAS NG do DECEA. A Força Aérea exige que o prefixo SISANT esteja cadastrado no perfil do operador para autorizar qualquer voo. Sem essa validação prévia, a plataforma simplesmente bloqueia a criação de pedidos no espaço aéreo compartilhado.

Decolar sem aval do SARPAS NG é considerado invasão clandestina de espaço aéreo, ferindo as diretrizes da ICA 100-40 do Comando da Aeronáutica. Perto de aeroportos ou corredores de helicópteros, o risco triplica: o voo não autorizado dispara alertas nos centros de controle e as coordenadas do radar orientam viaturas policiais direto para o seu ponto de decolagem.

Implicações jurídicas em caso de acidente ou dano a terceiros

Se o drone cair e atingir pedestres, carros ou a fachada de um prédio, a falta de registro na ANAC derruba qualquer tese de caso fortuito ou fatalidade no tribunal.

O piloto que voa sem registro responde por responsabilidade civil objetiva, conforme o Artigo 927 do Código Civil. Os juízes entendem que operar um equipamento aéreo fora das normas federais demonstra negligência e imperícia evidentes. Na prática, fica praticamente impossível escapar do pagamento de danos materiais, lucros cessantes e todas as contas médicas da vítima.

A anulação de seguros e a penhora patrimonial do piloto

Operar na irregularidade também anula a cobertura do seguro RETA, obrigatório para trabalhos comerciais no Brasil. Toda apólice desse tipo traz cláusula expressa de exclusão: se o drone envolvido no acidente estiver clandestino perante a ANAC, a seguradora nega a indenização na hora.

Sem a proteção do seguro, a conta das indenizações por ferimentos graves ou danos estruturais recai sobre a conta bancária, os veículos e os imóveis do piloto ou da empresa contratante. No tribunal, um laudo pericial atestando a falta de registro no SISANT basta para os juízes decretarem penhora de bens e antecipação de tutela.

Como regularizar um drone já comprado sem custos ou penalidades retroativas

A boa notícia é que a ANAC não cobra multa retroativa pelo tempo em que o drone ficou guardado sem cadastro, nem taxa de emissão para modelos Classe 3. Você resolve a pendência no portal do SISANT em poucos minutos, sem gastar nada.

  1. Localizar os identificadores físicos da aeronave: verifique o número de série de fábrica no compartimento de bateria ou na caixa original do drone e anote o código do selo de homologação da ANATEL impresso no produto.
  2. Acessar o portal do SISANT da ANAC: entre no site oficial da agência e autentique a sua identidade utilizando uma conta Gov.br com nível de verificação prata ou ouro.
  3. Cadastrar os dados técnicos do equipamento: selecione a opção de cadastramento de nova aeronave, indicando o fabricante, modelo, número de série original, peso máximo de decolagem e o tipo de uso pretendido, seja ele recreativo ou profissional.
  4. Emitir a certidão e fixar a identificação no chassi: imprima o arquivo PDF gerado pelo sistema e aplique um adesivo durável com o prefixo alfanumérico gerado (código iniciado pela sigla PP) em uma área externa e visível da fuselagem.

Regularizar o equipamento no sistema zera as pendências passadas, mas exige passos práticos de acordo com a sua rotina.

Se o seu drone tem 249 gramas de fábrica, veja bem se vai usar protetores de hélice ou filtros pesados: se o conjunto passar de 250 gramas, conclua o cadastro no SISANT antes de ligar o rádio. Vai prestar serviços profissionais?

Contrate o seguro RETA assim que a certidão da ANAC sair, já que o registro sozinho não autoriza trabalho remunerado. Insira o prefixo novo no SARPAS NG para requisitar os voos urbanos ao DECEA dentro dos prazos de cada modalidade.

Perguntas frequentes

O registro do drone no SISANT precisa ser renovado periodicamente?

Sim. A certidão emitida pela ANAC tem validade de 24 meses (dois anos). O procedimento de renovação deve ser feito pelo portal do SISANT antes da data de expiração, sem cobrança de taxas para aeronaves Classe 3, gerando um documento atualizado para manter os voos regulares.

Drones infantis ou de brinquedo precisam de cadastro na ANAC?

Não. Equipamentos voltados para recreação infantil e que pesam até 250 gramas na decolagem são isentos de cadastro no SISANT. A única exigência técnica que permanece é o selo de homologação da ANATEL no controle ou no corpo do brinquedo para atestar a conformidade do sinal de rádio.

Quem compra um drone usado de outro piloto precisa fazer novo registro?

Sim. O antigo dono precisa acessar o sistema e desvincular o número de série da aeronave do seu perfil. Só após essa liberação cadastral o novo comprador consegue registrar o drone em seu próprio CPF ou CNPJ no SISANT, gerando a certidão atualizada para a sua titularidade.

Posso emprestar meu drone registrado para outra pessoa pilotar?

Sim, desde que a pessoa tenha no mínimo 18 anos e porte a certidão do SISANT (mesmo em nome do dono). Vale destacar que a solicitação de voo no SARPAS NG precisa ser aberta na conta do piloto que realmente comandará a operação naquele dia.

Jhonathan Braga

Jhonathan Braga

Editor do EletroDrones / Fotógrafo aéreo e piloto de drone

Jhonathan Braga assina o EletroDrones e responde pela apuração de cada modelo e de cada regra publicada aqui. Começou fotografando surfe e paisagem no litoral de Santa Catarina e comprou o primeiro drone em 2016, para tirar a câmera do chão. De lá para cá trocou de aparelho sete vezes e aprendeu na prática o que a ficha técnica não conta: quanto de bateria o vento da tarde consome, qual hélice quebra primeiro, qual fabricante responde quando o equipamento precisa de reparo no Brasil. Hoje divide o tempo entre trabalhos de imagem aérea para pousadas e construtoras do litoral e a checagem do que sai no site. Antes de recomendar um drone ele voa com o modelo ou explica no texto por que não voou, e regra de voo só entra depois de conferida na norma vigente da ANAC e nos procedimentos do DECEA.